O Dadaísmo e outras manifestações

Raul Mendes Silva

INTRODUÇÃO

O Dadaísmo como movimento pareceu fugaz e, aparentemente, de pouca credibilidade. Entretanto, o mesmo não aconteceu com suas influências, que perduraram por dezenas de anos. O Almanaque Dada foi publicado em Paris 1920. Em agosto desse ano, um artigo publicado numa revista local e assinado por Jacques Rivière, dá uma definição meio obscura do Movimento – mas o texto parece igualmente uma notícia do obituário: “...Dada soube chegar ao ser antes de ele encontrar a compatibilidade, soube encontrá-lo na sua incoerência, ou melhor, na sua coerência primitiva – antes que a idéia da contradição se tivesse manifestado e o forçasse a reduzir-se, a construir-se; antes de ser substituído por uma unicidade lógica, forçosamente adquirida...”(pela cultura que nos é imposta, e assim Dada chegou ao ser) “...na sua unicidade absurda, a única original. “ Ou, na expressão de André Gide “...Dada é um insignificante absoluto. “
Em 1922, ainda em Paris, houve um Congresso Dada, durante o qual se realizaram manifestações apaixonadas e violentos debates, mas seus dias estavam contados.

O Surrealismo começou a estruturar-se a partir de 1920, mas encontrava-se ainda tolhido pelas influências fortes do Cubismo e mesmo do Simbolismo, este já em vias de desaparecimento. O Dadaísmo tivera o mérito do seu radicalismo, quanto aos surrealistas tentavam organizar-se teoricamente, dentro do turbilhão de idéias e movimentos daquela época, que aconteciam em todos os países europeus.
Um movimento importante tinha nascido na Alemanha, o Bauhaus, mas suas instalações foram fechadas pelos nazistas em 1933. Os surrealistas distanciaram-se do geometrismo racionalista adotado pelo Bauhaus e relevaram a espontaneidade, a liberdade de criação em todos os sentidos. Seria necessário chegar à década seguinte para o Surrealismo se tornar de fato internacional e influente. O contágio do espírito libertário do Surrealismo espalhou-se também pelo Continente Americano e em seu conjunto ofereceu um belo exemplo de insubordinação e repúdio aos cânones estéticos dos totalitarismos, principalmente da Rússia de Stalin, a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler.