IMPRESSIONISMO: ORIGENS, REFLEXOS NO BRASIL

Raul Mendes Silva

SUMÁRIO:

1- Como surgiu o termo impressionismo?

2- Antes do Impressionismo: o ambiente político e social do II Império (França)

3- A Terceira República e as rupturas (França)

4- O ambiente artístico

5- O Salão de Paris e os impressionistas

6- A exposição dos impressionistas em 1874

7- O movimento

8- Neoimpressionismo e divisionismo

9- Galeria de obras impressionistas na França

10- Galeria de obras impressionistas fora da França

11- Impressionismo no Brasil

12- Impressionistas brasileiros

13- Fontes.

 

COMO SURGIU O TERMO IMPRESSIONISMO?


Em Paris, no dia 15 de abril de 1874, o jornalista Louis Leroy, colaborador da revista Le Charivari  (que em francês significa desordem, confusão, burburinho), que havia recebido a incumbência de comentar a exposição que acontecia numa galeria do Boulevard des Capucines, nº 35, promovida por uma tal “Sociedade anônima de pintores, escultores e gravadores” escreveu sobre o acontecimento.  A crítica local desancava a mostra, considerando-a uma afronta à verdadeira arte. Entre os 31 artistas figurava Claude Monet, que expunha 12 quadros, entre os quais um que pareceu a Louis uma obra bizarra, pois apresentava uma paisagem do porto do Havre envolta em brumas, com o sol nascente espelhando seus raios, sem desenho definido e com visíveis camadas de tintas. Que era “aquilo”, comparado com a suavidade e limpidez das telas da Sociedade Nacional de Belas Artes? Tomado pelo espanto, o jornalista escreveu, jocosamente: “impressão ... se estou impressionado é porque deve haver alguma impressão  (no quadro)... que liberdade, que facilidade de execução! Um esboço para um desenho de papel de parede tem mais acabamento do que esta paisagem.”  Apesar do sarcasmo, o termo “pegou”, mesmo entre os artistas e seu círculo de aficionados - e assim foi consagrado o título de Impressionismo para aquele movimento artístico.

Observação: neste trabalho mostramos a repercussão do Impressionismo nas artes visuais, sem nos aventurarmos pelos seus reflexos em outras artes, como a música ou a literatura.

 


Le Charivari, revista satírica de Paris

 


Claude Monet, Impression, soleil levant (Impressão,
o nascer do sol). O porto do Havre, óleo sobre tela,
48 x 63 cm, 1874, Paris, Musée Marmottan Monet

 

 

ANTES DO IMPRESSIONISMO:

O AMBIENTE POLITICO E SOCIAL NO II IMPÉRIO


Louis Napoléon Bonaparte (1808-1873), que ficou conhecido como Napoleão III, era sobrinho de Napoleão Bonaparte, o indómito conquistador e imperador francês, que tanto influenciou a história da Europa em sua época e depois. Em 1832, as circunstâncias familiares levaram Louis a ser considerado o herdeiro natural do tio, porém encontrava-se ausente da França e ainda longe do poder, nessa altura dominado por um regime republicano. Os seus concidadãos sofriam da nostalgia da época dourada das vitórias militares do tio e, após elegerem Louis Napoléon como deputado constituinte, praticamente recolocaram toda a força politica em suas mãos, quando o elegeram presidente através de um plebiscito (21 de dezembro de 1851). No ano seguinte, seguro de seu prestígio avassalador e sequioso de uma dignidade imperial, provocou uma nova  consulta popular, que o entronizou como Napoleão III. Mas sua ambição tinha ultrapassado os limites e, após batalhas mal sucedidas, com a França isolada politicamente na Europa, seus exércitos sucumbiram e ele foi feito prisioneiro, acabando por morrer no exílio como, aliás, acontecera com seu tio. Em 1870, um governo instalado provisoriamente trouxe de volta o regime republicano.

O período do domínio de Napoleão III como imperador coincidiu com extraordinária expansão econômica e social da França. Entre 1852 e 1870, durante o “Segundo Império”, houve uma verdadeira reconstrução de Paris, quando o Barão De Haussmann  foi prefeito da cidade, entre 1853 e 1870. O progresso urbanístico, científico, logístico e industrial avançou paralelamente com as artes e as letras. Cioso de sua imagem, ele era um genial marqueteiro, como seu tio, Napoleão Bonaparte. Realizou périplos frequentes pelo interior, usou e abusou da fotografia (então uma técnica e moda recentes) para espalhar sua imagem por todo o país. Um fotógrafo ilustre, Gustave Le Gray, foi encarregado de providenciar o seu retrato, que se tornaria a primeira foto oficial de um chefe de estado. Junto com estas manifestações, na década de 1860 o estado, autoritariamente, exigia a volta aos bons costumes, à moral pública e às práticas religiosas, impondo seu viés conservador e reacionário, contando com o beneplácito da mulher de Louis Napoléon, a Imperatriz Eugénie de Montijo. As festas oficiais se multiplicaram, com recepções faustosas em espaços públicos. Em Paris foi construído um deslumbrante palácio, a Ópera Garnier (que serviu de modelo aos Teatros Municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo), autêntica sede da apoteose espetacular do regime.

 


Franz Xaver Winterhalter, Napoleão III,
óleo sobre tela, 240 x 155, 1855,
Museo Napoleonico, Roma

 


Franz Xaver Winterhalter,
Imperatriz Eugénie de Montijo,
óleo sobre tela, 1864, Château
de Compiègne, França

 


A Ópera de Paris em 1900. Foi construída entre 1862-1875,
tendo 73,6 metros de altura. Reúne ecleticamente diversos
estilos, tendo o barroco como principal inspiração.

 

A TERCEIRA REPÚBLICA E AS RUPTURAS

Seguindo à queda do Segundo Império, a França sofreu um período de profundas fraturas na sua estrutura social. Desde a Revolução Francesa (1789) os regimes políticos se sucederam de tal forma no país que, em oito décadas, até 1870, tinham acontecido dois impérios, três monarquias e duas repúblicas. Uma nova força social emergente, a classe operária, se consolidou junto com a revolução industrial. Perante esse turbilhão político e ideológico, a Assembleia Nacional francesa hesitou, avançou e recuou durante nove anos até, finalmente, proclamar a 3ª República, e uma nova constituição. Este regime iria durar até 1940, quando a invasão das tropas alemãs obrigou à transferência dos poderes constitucionais para as mãos do marechal Pétain, no regime  de Vichy ( 1940-44, governo títere dos nazistas).

Os fundamentos da III República, no período em que se desenvolveu o impressionismo, foram edificados  politicamente em torno de uma república parlamentar, ciosa – ou forçada – a contemplar as conquistas populares, então já irreversíveis. As infraestruturas e as instituições haviam se consolidado graças a iniciativas tão diversas como o desenvolvimento das estradas de ferro, as leis sobre a instrução obrigatória, o direito à greve, a liberdade de reunião e associação, o respeito pelos salários dos trabalhadores, enfim, estava pavimentado o solo do novo estado laico, no caminho de um conceito forte e patriótico da Nação francesa.

 

O AMBIENTE ARTÍSTICO

Na França, e provavelmente no mundo inteiro, durante muitos anos o lugar mais ambicionado para um artista mostrar seus trabalhos foi o Salão de Paris, inaugurado em 1667 e localizado no Museu do Louvre (no Salão de Apolo). Destinava-se a expor esculturas e, principalmente,  pinturas. Entre a sua inauguração e 1736 aconteceu anualmente; a partir daqui, até à Revolução Francesa (1789) seu funcionamento foi bienal, para voltar em seguida à anualidade. A escolha dos trabalhos, muito disputada, era feita originariamente por pessoas ligadas à corte, mas em 1748 iniciou-se o sistema de seleção por um júri que não escondia a preferência pelos artistas de formação acadêmica.

Nas artes decorativas deste período consagrou-se o “estilo Napoleão III”, uma tendência fortemente ornamental, com raízes no barroco e no neoclassicismo, que utilizou decoração majestosa, abundância de ouro e preto, um gosto “pesado”, com uso de candelabros, tapeçarias e tecidos, numa evocação suntuosa das artes do Estilo Império do tempo de   Napoleão Bonaparte.

 


Móvel no estilo Napoleão III, criado por André
Charles Boulle

 

+++

 

 

ARTE ANTERIOR AO IMPRESSIONISMO

 


Eugène Delacroix, A Liberdade conduzindo o povo, 1830

 


Jean Léon Gêrome, Rinha de galos, 1846

 

O SALÃO DE PARIS E OS IMPRESSIONISTAS


Le Salon d’Apollon (Salão de Apolo), no século 18, Museu
do Louvre Paris. Neste recinto se realizava tradicionalmente
o “Salon de Paris”. Apolo: foi um dos deuses mais importantes
da mitologia grecorromana, filho de Zeus e de Leto. Os antigos
lhe atribuíam numerosos e diversificados poderes, entre os quais
a proteção contra os ataques malignos. Entretanto, ele era
igualmente o símbolo divino da Perfeição, Harmonia, Equilíbrio
e o deus da Beleza. Sem dúvida, foram estes últimos atributos
que levaram à sua escolha para servir de patrono a um salão
de obras de arte.

 

+++

 

 

O Salon de Paris, desde seus inícios, destinava-se precipuamente a exibir os trabalhos dos artistas que pertenciam à Academia Real de Pintura e Escultura. Napoleão III, em 1863, autorizou a abertura de uma mostra paralela, que ficou conhecida como o Salon des Refusés (Salão dos Recusados). O grande público estava familiarizado com a arte acadêmica e renitente em aceitar mudanças, de tal forma que, ao acorrer a este Salão, vinha com atitude preconcebida para ridicularizar os novos trabalhos, frutos da mudança, entre os quais os quadros de Cézanne e Manet. Esta primeira manifestação de inconformismo repercutiu entre os artistas jovens e os encorajou a realizar diversas mostras independentes, entre as quais a exposição dos impressionistas, em 1874.

Obs: diversos artistas brasileiros se apresentaram no Salon de Paris. A primeira participação foi de Victor Meireles, em 1860, com a tela Primeira Missa no Brasil.


A EXPOSIÇÃO DOS IMPRESSIONISTAS EM 1874

Napoleão III decidiu endurecer sua posição relativamente aos artistas dissidentes da arte acadêmica oficial. Após o Salão dos Recusados rejeitou propostas para novas mostras desse tipo, em 1867 e 1872. Enquanto o ambiente político estava abalado pela guerra e pela ação da Comuna (1871) o clima entre os artistas era de inconformismo e ativismo, considerando-se libertados da ditadura cultural do II Império. Como se viu anteriormente, alguns artistas, entre os quais Sisley, Cézanne, Degas, Monet e Pissarro, decidiram organizar uma sociedade para promover exposições, finalidade que se concretizou em 15 de abril de 1874.

A exposição, sob o ponto de vista do público e de crítica, foi um fracasso, como acontece em geral com qualquer manifestação de vanguarda. Todavia, o Impressionismo viera para ficar.


O MOVIMENTO

O Impressionismo foi um movimento artístico, que decorreu entre os anos 1870 e 1875, irradiando de Paris para o mundo inteiro. Por diversas circunstâncias, foi considerado um fenômeno de origem francesa, em detrimento de outros locais, onde artistas de talento se serviram igualmente da técnica e dos conceitos impressionistas. Isto quer dizer que, além do “templo” do Impressionismo, o Museu d’Orsay, em Paris, o aficionado das artes pode encontrar grandes obras impressionistas em pontos tão distantes como, por exemplo, o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, o seu homônimo de Buenos Aires, ou o Museu Belvedere, em Viena. Contemporâneo dos próprios impressionistas, Édouard Manet já se havia distanciado da pintura oficial. A sua obra rompera com o academicismo e os jovens pintores que desejavam partir para vôos livres o procuravam, para sentir apoio e inspiração. O júri do Salon de 1863 não aceitou a sua tela Déjeuner sur l’herbe porque mostrava, entre várias figuras, uma mulher nua fora do contexto (quer dizer, poderia estar nua “coerentemente” se fosse numa cena neoclássica, ou acadêmica). Embora Manet não fosse um impressionista, sua obra apresentava inovações pictóricas e o tornaram um precursor próximo do movimento. Entretanto, Manet sempre recusou alguns aspectos da “doutrina” impressionista, como a submissão aos efeitos da luz, que considerava rígida demais. Também devemos considerar que uma “maneira” impressionista de pintar, tanto nos temas, como na técnica, já tinha sido praticada pelo francês Camille Corot (1796-1875) e por dois mestres ingleses, William Turner (1775-1851) e John Constable (1776-1863).

 


Édouard Manet, Le déjeuner sur l’herbe (literalmente: O
almoço sobre a grama), óleo sobre tela, 208 x 265,5, cm,
1862-63, Museu d’Orsay, Paris

 

Os impressionistas não constituíam uma escola, já que não seguiam regras rígidas, nem métodos inflexíveis. Eram contra a arte acadêmica oficial, mantinham um sentimento solidário de grupo, mais firme em Pissaro, Sisley e Monet, mas desenvolviam livremente seus talentos em diversos azimutes. No caso de Monet havia uma fidelidade constante ao modelo, porém outros se divorciaram dos preceitos do início e tomaram rumos pessoais, como nos casos exemplares de Paul Gauguin e Van Gogh. 

Apesar de não serem nítidos os contornos das intenções dos diversos artistas, alguns pontos comuns eram defendidos sem hesitações.

Na teoria: contestavam-se as abordagens convencionais dos seus antecessores, defendendo-se que as obras deveriam reproduzir as cores e formas do ambiente; a arte necessitava acompanhar os movimentos da sociedade e suas inovações, e sair da contemplação de modelos estáticos; quanto aos temas, tornava-se necessário seguir a tradição iniciada por Manet e pela École de Barbizon * (ver abaixo) em particular de Courbet, pintor que constituía uma unanimidade entre os jovens artistas.

Na prática: não utilizar o preto, dar relevância dos efeitos da luz e das formas difusas, em detrimento da precisão dos volumes; apreensão do momento, do instante, do efêmero, com tonalidades intermediárias, realçando sobretudo o azul intenso das paisagens ensolaradas; as pinturas tinham que acontecer após um simples relance do olhar, como aquilo que uma pessoa cega enxergaria se ganhasse subitamente a visão. A paleta dos impressionistas usava cores mais vivas e espontâneas, misturando-se os pigmentos na paleta ou no próprio suporte do quadro, o qual, de preferência, deveria ser executado rapidamente e sem muito estudo. Neste sentido, os elementos físicos da paisagem, como flores, casas, árvores e rios, deveriam ser representados na sua dinâmica; elementos naturais, como nuvens, relâmpagos, chuvas, o sol e as nevascas tinham que ser pintados como se estivessem em atividade, e não estaticamente. Sem dúvida, como veremos a seguir, as descobertas científicas sobre a luz devem ter influenciado os jovens impressionistas.

+++

 


ÉCOLE DE BARBIZON (Escola de Barbizon)


Na cidade de Barbizon, França, na região da floresta de Fontainebleau, ao sul de Paris, reuniu-se em meados do século 19 um grupo de artistas que se dedicavam à pintura de paisagens, cultivando o gosto dos pintores do realismo, sobretudo dos franceses Jean-François Millet (1814-75) e Camille Corot (1796-1875). Não formaram propriamente uma escola no sentido tradicional, mas um conjunto de pessoas com afinidades estéticas, encantadas com o clima bucólico, que escolhiam temas despretenciosos. Os artistas de Barbizon renunciaram à tradição acadêmica e aos temas grandiloquentes do classicismo, voltando suas atenções para a vida no interior, sobretudo para os camponeses. As suas paisagens traduziam a simplicidade da vida rural e influenciaram o impressionismo.

Entre os seus componentes destacaram-se: Théodore Rousseau (1812-67), Constant Troyon (1810-65) e Charles-François Daubigny (1817-78).

 

OS IMPRESSIONISTAS E AS CORES

Ao longo do século 19, diversos cientistas, alguns contemporâneos dos impressionistas,  estudaram e reinterpretaram os fenômenos da luz e das cores, confirmando que os objetos são percebidos porque refletem, através de ondas eletromagnéticas, a luz de alguma fonte luminosa que sobre eles esteja incidindo. Por isto, quando não existe nenhuma fonte de luz, tudo o que nos cerca fica às escuras, invisível. Quer dizer, nós não vimos os objetos, mas a luz que eles refletem. Portanto, ao contrário do que o senso comum imaginava, a cor não é um fenômeno físico, mas fisiológico – e, portanto, um fenômeno individual, subjetivo.

Além disso, se torna um fenômeno cultural, cuja interpretação depende do contexto social em que estamos inseridos, assunto que era conhecido, havia séculos, por estudiosos como os historiadores, sociólogos, psicólogos e viajantes. Cada sociedade atribui às cores uma simbologia diferente- para uns, o luto está relacionado com o preto, para outros com o branco; o vermelho, que no Ocidente se atribui às paixões, na China é sinal de alegria; o verde pode significar esperança  ou ganância, dependendo do grupo social, etc.

+++

 

 

NEOIMPRESSIONISMO e DIVISIONISMO

Ainda em finais do século 19 alguns artistas, como Paul Signac (1863-1935), Odilon Redon (1840-1916), Georges Seurat (1859-91) e Camille Pissarro (1830-1903) fundaram em 1884, em Paris, a Societé des Artistes Indépendants  (Sociedade dos Artistas Independentes) defendendo novos caminhos para o impressionismo. Passaram a ser chamados de neoimpressionistas e de divisonistas. Advogavam uma pintura não tão espontânea quanto a dos impressionistas iniciais, com algum conteúdo científico e levando em conta as teorias da época sobre a cor. Como resultado, surgiram quadros com pinceladas mais largas ou superfícies pontilhadas de cores, caso do pontilhismo, expediente que consistia em ocupar a tela com agrupamentos de pontos ou bem curtas pinceladas, de cores diferentes, de maneira que o olho do observador, vendo à distância, ele mesmo misturasse os efeitos cromáticos. Signac e Seurat foram expoentes dessa tendência, que entre nós teve pouca repercussão (alguma em Belmiro de Almeida, 1858-1935). A “maneira” impressionista teve aceitação na Itália, onde os artistas que a seguiam se auto-denominavam  macchiaoli  e se consideravam independentes dos franceses, porque praticavam um impressionismo com características próprias, como no caso de Giovanni Fattori.

+++

 


Nos finais do século 19, o planeta ainda estava muito distante da sua fase de globalização, todavia já se detectavam fenômenos políticos e sociais que afetavam muitas nações simultaneamente, em parte por causa do expansionismo bélico de alguns países, como no caso da Alemanha. 

No início do século 20, as críticas ao impressionismo surgiam de várias frentes, com o surgimento de correntes artísticas correndo em diversos azimutes, acusando esse movimento de superficial, encantador (no mau sentido) e alienante, num período em que a guerra ameaçava se espalhar por toda a parte. Chegavam ao cenário artístico internacional algumas tendências que em nada se pareciam com a arte de Renoir, de Pissarro, ou de Visconti, como o dadaísmo e o expressionismo. Esses ventos da mudança sopravam da França, da Alemanha e também da Rússia, da Inglaterra, dos Estados Unidos, dos países escandinavos, do México, e um pouco de toda a parte. A sombra militarista da Alemanha continuava a nublar os céus da França. Em 1917, a Rússia dos czares desmoronava sob o martelo e a foice da Revolução de Outubro e, dois anos depois, o planeta assistia, horrorizado, ao final da I Grande Guerra, a primeira manifestação da insanidade globalizada.

 

GALERIA DE OBRAS IMPRESSIONISTAS NA FRANÇA

Selecionamos alguns trabalhos que apresentam diversos estilos pessoais dentro do mesmo movimento, sem qualquer intenção de evidenciar um ou outro nome, apenas com o objetivo de mostrar obras de impressionistas proeminentes.

 


Berthe Morisot (1841-1895), O berço, óleo sobre tela,
56 x 46, 1872, Museu de Orsay, Paris

 


Paul Cézanne (1839-1906), Os jogadores de cartas, óleo
sobre tela, 58 x 48, c. 1894-95, Museu Orsay, Paris

 


Edgar Degas (1834-1917), A estrela do Ballet
(Rosita Mauri), pastel, 58 x 42, c. 1878,
Museu Orsay, Paris

 


Alfred Sisley (1839-1899), Secando as redes, óleo sobre tela,
42 x 65, 1872, Kimbell Art Museum

 


Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), Baile no Moulin de la Gallete,
óleo sobre tela, 131 x 175, 1876, Museu de Orsay, Paris

 


Camille Pissarro (1830-1903), Paisagem com vacas,
Montfoucault, óleo sobre tela, 1874, High Museum of Art

 


Auguste Rodin (1840-1917), Os burgueses de
Calais
, bronze, 217 x 255 x 177, 1889,
Museu Rodin, Paris

 


Camille Claudel (1864-1943), A valsa, bronze,
c. 1890, Museu Rodin, Paris

 


Paul Gaugin (1848-1903), Duas taitianas, óleo sobre tela,
94 x 72,4, 1899, Museu Metropolitan, Nova York

 


Vincent van Gogh (1853-1890), Quarto em Arles, óleo
sobre tela, 72 x 90, 1888, Museu Van Gogh, Amsterdã

 

 

GALERIA DE OBRAS IMPRESSIONISTAS FORA DA FRANÇA

 


Pedro Blanes Viale, uruguaio (1879-1926),
jardim em Maiorca
, óleo sobre tela, 122 x 114,
c. 1906, Museu Nacional de Artes Visuais, Montevideo

 


Fernando Fader, argentino (1882-1935), Paisagem,
óleo sobre tela, Museu de Arte Latino-americana,
Buenos Aires

 


Giovanni Fattori, italiano (1825-1908), Vaqueiros, óleo sobre tela,
200 x 300, 1893, Museo Civico Giovanni Fattori, Livorno, Itália

 


Max Liebermann, alemão (1847-1935),
Papageien alle
, oleo sobre tela, 87,1 x 72,5,
1902, Kunstalle, Bremen, Alemanha

 


Emilio Bogggio, venezuelano (1857-1920),
Autorretrato
, óleo sobre tela, 55,5 x 40,5,
c. 1920, Galeria de Arte Nacional, Caracas

 


José Malhoa, português (1855-1933), Outono,
óleo sobre tela, Museu do Chiado, Coimbra, Portugal

 


Joaquin Clausell, mexicano, Paisagem com bosque e rio,
óleo sobre tela, sem data, Museu Soumaya, México

 


Walentin Serov, russo (1865-1911), óleo sobre
tela, 1899, Museu da Rússia, São Petersburgo

 

 

IMPRESSIONISMO NO BRASIL

No Brasil, um grupo dissidente da pintura acadêmica já tinha anunciado as transformações de temas e técnicas em direção ao impressionismo. Tratava-se de um conjunto de alunos da Academia, chefiados um mestre alemão, Georg Grimm, que ficou historicamente conhecido como o Grupo Grimm.  Eles saíam para pintar ao ar livre, de uma maneira espontânea e sem assunto previamente escolhido, rebelando-se contra os cânones do neoclassicismo. Alguns vieram a engrossar as fileiras do impressionismo, como Giovanni Castagneto, Antonio Parreiras e Hipólito Caron; outros seguiram o caminho do realismo, como Garcia y Vasquez e França Junior.

Apesar da resistência conservadora da Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, que continuava cultivando o classicismo, as orientações impressionistas seduziram artistas no Brasil como: Castagneto (1851-1900), Artur Timoteo da Costa (1882-1922), Almeida Júnior (1850-99), Antonio Parreiras (1860-1937), Eliseu Visconti (1866-1944), Garcia Bento (1879-1919), Lucílio de Albuquerque (1877-1939),Georgina de Albuquerque (1885-1962) e Navarro da Costa (1883-1931).

No período em que se desenvolveu o período impressionista na Europa, a arte brasileira estava seduzida pelo realismo e pelo regionalismo, o que dificultava a aceitação de uma nova teoria de fora. Além disso, vimos que um dos preceitos dos impressionistas era a procura do ar livre e das paisagens. Os artistas franceses, ou melhor, parisienses, que primeiro se agruparam em torno do movimento, além do ambiente cultural estavam seduzidos pelos ensinamentos  científicos da sua época, o que não acontecia no Brasil. Havia também a considerar o fato tempo: o clima francês era mais seco que o brasileiro, e as cores da natureza eram aqui mais exuberantes, a atmosfera menos límpida, a topografia montanhosa e o interior rural em pouco se pareciam com as bem comportadas paisagens europeias. Seria possível o impressionismo no Brasil?

Foi neste contexto que aqui surgiram as primeiras incursões impressionistas, com destaque para Eliseu Visconti. 

Segundo José Roberto Teixeira Leite (in: Dicionário Crítico da Pintura no Brasil, 1988, Artlivre, Rio de Janeiro, pág. 254)”... Quando se leva em conta, porém, que fora de França o Impressionismo só obteria o nihil obstat dos pintores mais ou menos pela mesma época em que se viu aceito no Brasil, vê-se que a contribuição de Visconti, Rafael Frederico, Lucílio de Albuquerque, Carlos Oswald e alguns mais, não foi assim tão extemporânea. Mais ou menos da idade de Visconti eram, por exemplo, muitos dos precursores não-franceses do Impressionismo em seus respectivos países: o italiano Plinio Nomellini (1863-1943); o alemão Max Liebermann (1867-1935); o russo Walentin Serov (1865-1911); o canadense James Wilson Morrice (1865-1911); o mexicano Joaquin Clausell (1866-1935) e o argentino Martin Malharro (1865-1911). Mais moços até do que Visconti, e praticando o Impressionismo à francesa, ou mesclado a outras tendências e estilos europeus ou locais, foram, entre muitos outros, o belga Henri Evenepoel (1872-1899); o alemão Max Slevogt (1868-1932); os uruguaios Pedro Blanes Viale (1879-1926) e Miguel Carlos Victorica (1884-1955); o argentino Fernando Fader (1882-1935) e o venezuelano Armando Reverón (1889-1954)... Visconti não foi certamente o primeiro impressionista latino-americano, primazia que cabe talvez ao venezuelano Emilio Boggio (1857-1920), aluno de Henri Martin e amigo de Pissarro e Sisley; ou ao também venezuelano Rojas (1858-1898) ou, quem sabe, ao argentino Eduardo Sivori (1847-1918), todos os três já impressionistas na última década do século 19; mas (Visconti) foi, sem dúvida, dos primeiros pintores latino-americanos a incorporar recursos impressionistas à sua palheta, adaptando-os às circunstancias locais e pessoais.”

+++

 

IMPRESSIONISTAS BRASILEIROS

No Brasil seria mais adequado falar de obras impressionistas, porque quase não tivemos artistas exclusivamente dedicados e inseridos no movimento, talvez com a exceção de Castagneto. Vamos citar alguns nomes pela ordem cronológica de nascimento, sem entrar em comparações dos seus méritos pessoais.

Obs: neste site, em Dicionário de Artistas do Brasil, encontram-se fichas com dados biográficos mais extensos de cada artista mencionado.

 

Almeida Junior, José Ferraz (1850 Itu, SP – 1899 Piracicaba, SP) Desde cedo manifestou inclinação para a pintura e inscreveu-se em 1869 na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Entre 1876 e 1882 morou na França e excursionou pela Itália, beneficiando-se de bolsa do governo brasileiro. Datam deste período algumas de suas grandes obras realistas. Participou do Salon de Paris em 1880 e 1882. Nem o impressionismo, nem a atmosfera cosmopolita da capital francesa o seduziram, conservando sempre seu jeito de interiorano. De volta ao Brasil em 1884, participou da Exposição Geral da Academia e dedicou-se mais intensamente aos temas regionais, consolidando sua arte dedicada ao realismo e aos temas da gente humilde do interior paulista. Sua produção relativa ao impressionismo é, pois, escassa e de menos importância em sua obra.

 


Paisagem do sítio Rio das Pedras, óleo sobre tela,
57 x 35, 1899, Pinacoteca do Estado de São Paulo

 


Ponte da Tabatinguera, óleo sobre tela, 46 x 60,
c. 1895, Pinacoteca do Estado de São Paulo

 

+++

 

Castagneto, Giovanni Battista Felice (1851 Gênova, Itália – 1900 Rio de Janeiro, RJ). Um dos maiores expoentes brasileiros na temática impressionista. Chegou ao Brasil em 1875, acompanhando o pai. Estou na Academia Imperial entre 1882 e 1884, e daqui seguiu os passos de seu mestre, Georg Grimm, para pintar ao ar livre, distante das orientações acadêmicas do neoclassicismo. Em 1890, com ajuda de amigos e admiradores, viajou para França. Nesta altura já mostrava sua predileção pela pintura de marinhas. Voltou ao rio de Janeiro em 1893, mas a boemia e a pobreza cobraram os efeitos em sua debilitada saúde, e morreu praticamente na miséria. Sempre foi mais um artista intuitivo do que um mestre de formação acadêmica. Firmou-se com um dos maiores marinhistas brasileiros de sempre.

 


Barco em Toulon, óleo sobre tela, 40 x 65, 1893,
Pinacoteca do Estado de São Paulo

 


Salva em dia de gala na Baía do Rio de Janeiro, óleo
sobre tela, 74 x 150, 1887, Museu de Arte de São Paulo

 

+++

 

Belmiro Barbosa de Almeida Júnior (1858 Serro, MG – 1935 Paris, França). Em 1877 matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes e, nesse ano, iniciou sua colaboração como chargista em jornais e revistas. Em 1888 viajou a Paris, com a ajuda de amigos, passando a alternar sua residência entre o Rio de Janeiro e a capital francesa. Foi um dos únicos brasileiros a praticar o pontilhismo, uma técnica de alguns impressionistas, como Seurat.


A tagarela, óleo sobre tela, 128 x 83, 1893,
Museu Nacional de Belas Artes

 

+++

 

Parreiras, Diogo Antônio da Silva (1860 Niterói, RJ – 1937 Idem). Paisagista e pintor de história, dedicou-se também à pintura de gênero. Em 1883 matriculou-se na Academia de Imperial de Belas Artes e veio a fazer parte do “Grupo Grimm”. Em 1888 viajou para Roma e Veneza, regressando ao Rio de Janeiro dois anos depois, sendo nomeado professor interino de paisagem da Escola Nacional de Belas Artes. Desde cedo se habituou a conviver com o sucesso de crítica e de vendas. Como autor de pintura histórica, ao longo de toda a vida, pôde mostrar sua visão nacionalista e desvinculada da historiografia oficial. Entre 1916 - 1922, em suas viagens a Paris, os marchands locais sempre colocaram suas obras, inclusive os nus femininos, no mercado local. Foi considerado pelo público do país o maior pintor brasileiro da sua época.


Paisagem,  óleo sobre madeira, 26,6 x 39,8, 1910,
Museu Antonio Parreiras, Niteroi, RJ

 


Canto de praia, óleo sobre tela, 79, 4 x 43, 3, 1886,
Museu Nacional de Belas Artes

 

+++

 

Hipólito Boaventura Caron (1862 Resende, RJ – 1892 Juiz de Fora, MG). Foi principalmente paisagista, mas também executou retratos. Inicialmente foi influenciado por Georg Grimm e sua pintura “ao ar livre”, depois pelo realismo dos mestres franceses, como o do seu professor Hanoteau. Entre 1885 e 1888 pode estudar na França, graças aos recursos da sua família.

 


Praia da Boa Viagem, óleo sobre tela, 70 x 40, 1884,
Museu Nacional de Belas Artes

 

+++

 

Rafael Frederico (1865 Rio de Janeiro, RJ – 1934 Idem). Nas palavras de Quirino Campofiorito: “ (As) tintas manejadas igualmente com pincel e espátula, podem apontá-lo como o pintor que primeiro se opõe resolutamente ao maneirismo acadêmico, tanto nos valores tonais como na textura pictórica ...  uma decisão pictórica definitivamente descompromissada da técnica convencional." Orfão muito cedo, e pobre, logrou estudar na Academia Imperial de Belas Artes e viajar à Europa em 1893, com o prêmio de viagem dessa instituição.

 


Nu, óleo sobre tela, c. 1896, Museu Dom João VI, Rio de Janeiro

 

+++

 

Eliseu D’Angelo Visconti (1866 Santa Caterina, Salerno, Itália - 1944 Rio de Janeiro, RJ). Um dos vultos admiráveis de toda a pintura brasileira, a ele se deve a contribuição mais importante para nosso patrimônio impressionista. Trouxe para o cenário nacional a renovação e o abandono definitivo do academicismo, projetando sua influência dominante até ao advento do modernismo. Seu nível artístico alcançou um patamar tão alto como o que de melhor existia na Europa, ou em qualquer parte do mundo. Em 1884 matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes, estudando em Paris a partir de 1893 na École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts (Escola Nacional e Especial de Belas Artes).  Aprimorou-se igualmente na Espanha e Itália, retornando ao Rio de Janeiro em 1903, para executar decorações no Teatro Municipal do rio de Janeiro, a convite do prefeito Pereira Passos. Voltaria diversas vezes a Paris, onde era imenso o seu prestígio.


Maternidade, óleo sobre tela, 165 x 200, 1906,
Pinacoteca do Estado de São Paulo

 



Retrato da senhora Nicolina Vaz de Assis,
óleo sobre tela, 100 x 81 cm, 1905,
Museu Nacional de Belas Artes.

 



Carrinho de criança, óleo sobre tela, 1916,
Museus Castro Maya, Rio de Janeiro

 

+++

 

Lucílio Albuquerque (1877 Barras, PI – 1939 Rio de Janeiro, RJ). Espírito inquieto, ao longo de sua trajetória artística sofreu influências influencias simbolistas, impressionistas e do art déco. Em 1906, graças ao Prêmio de Viagem, viajou para a Paris com a mulher, a pintora Georgina de Albuquerque, ali permanecendo por cinco anos. No seu último ano em França ganhou medalha de ouro no Salon des Artistes Français (Salão dos Artistas Franceses) com a tela Despertar de Ícaro, inspirada nos voos de Santos Dumont. Foi professor de Candido Portinari na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.


Retrato de Georgina, óleo sobre tela, 61 x 50,
1907, Pinacoteca do Estado de São Paulo

 

+++

 

Artur Timóteo da Costa (1882 Rio de Janeiro – 1923 Idem). De origem humilde, teve que trabalhar como pintor, cenógrafo, decorador, desenhista e entalhador. Sua condição de mulato, naquela época, também não ajudou ao seu reconhecimento como um artista de grande talento, um verdadeiro precursor do modernismo brasileiro. Seu papel inovador, porém, demorou a ser devidamente apreciado. Em 1908, graças a um Prêmio de Viagem, pode morar em Paris e conhecer a Itália e a Espanha, onde conheceu os museus dos grandes mestres.


Pintor no ateliê em Paris, óleo sobre tela,
36 x 53,3, 1910, Col. Sérgio Sahione Fadel

 



Marinha, óleo sobre tela, 1919, Museu Afro-Brasil

 

+++

 

Carlos Oswald (1882 Florença, Itália / 1971 Petrópolis, RJ). Seus múltiplos talentos o levaram a ser pintor, gravador, desenhista, decorador, escritor e professor. Era filho do compositor brasileiro Henrique Oswald, sendo considerado por historiadores como o introdutor da gravura no Brasil. Veio para o Rio de Janeiro em 1906, desenvolvendo imensa atividade junto de artistas nacionais. Para a igreja do Brás, São Paulo, executou uma composição, A Ceia do Senhor, trabalho depois editado pela firma suíça Stehli & Frères, a qual foi reproduzida e copiada ad infinitum, sendo um dos trabalhos mais vistos nos lares brasileiros até hoje. Foi o responsável pelo desenho final do Cristo Redentor do Corcovado, no Rio de Janeiro.


Jovem senhora, óleo sobre tela, 72 x 125, 1916,
Pinacoteca do Estado de São Paulo

 

+++

 

Henrique Campos Cavalleiro (1892 Rio de Janeiro, RJ – 1975  Idem). Entre 1907 e 1918 estudou na Escola Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, onde teve mestres como Eliseu Visconti, Daniel Bérard, Zeferino da Costa e, aquele que mais o marcou, Marques Júnior. Casou com a pintora Yvone Visconti Cavalleiro, filha de Eliseu Visconti. Praticou a paisagem, a figura e o nu, sempre com fortes coloridos.


Jardim do Luxemburgo, óleo sobre tela, 45,5 x 54,5 cm,
c. 1930, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.

 

+++

 

Navarro da Costa, Mário (1883 Rio de Janeiro, RJ – 1931 Florença, Itália). Foi um dos nossos melhores marinhistas. No dizer de Quirino Campofiorito, Navarro pintou com “... tintas frescas e espontaneamente elaboradas, o mar e suas proximidades imediatas, sua luminosidade inebriante, sua atmosfera envolvente e denunciadora de distantes horizontes, sua cromaticidade pontilhada de vibrações, ora em tonalizações cinzas suavizantes das cores contrastantes, ora em verdadeiras sinfonias policrômicas realçadas na movimentação incessante dos reflexos ou nos plácidos espelhos d'água.” Sua palheta impressionista, numa época em que este movimento já perdera fôlego, utiliza cores fortes, que por vezes se confundem com o fovismo.


Marinha, óleo sobre tela, 48 x 69, 1912, Acervo Banco Itau

 

+++

 

Georgina Albuquerque (1885 Taubaté, SP - 1962 Rio de Janeiro, RJ). Em 1904 ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Entre 1906 e 1911 residiu em Paris com o marido, o pintor Lucílio de Albuquerque. Quando voltou ao Brasil praticava uma pintura impressionista, influenciada por Visconti  e distante de seus contemporâneos neoclássicos e realistas. Entre 1952 e 1954 foi diretora da Escola Nacional de Belas Artes - a primeira mulher a ocupar o cargo.


Dia de verão, óleo sobre tela, 1,30 x 89, c. 1926,
Museu Nacional de Belas Artes

 

+++

 

Antônio Garcia Bento (1897 Campos, RJ - 1929 Rio de Janeiro, RJ). Sendo praticamente um autodidata, manifestou seu talento como exímio marinhista. Em 1925 viajou à Europa, graças a um prêmio de viagem, voltando como um pintor amadurecido. O emprego da espátula, então pouco utilizado entre nossos artistas, o tornaria um mestre nessa técnica. Seu domínio era tão competente que podia combinar com sucesso, no mesmo quadro, espátula e pincel. Junto com Castagneto e Navarro da Costa, Bento criou algumas das melhores paisagens e marinhas da nossa safra impressionista.


Saveiros, óleo sobre tela, 110 x 135,2, 1925,
Museu Nacional de Belas Artes

 

+++

 

Sergio Telles  (1936 – Rio de Janeiro) Teve como primeiro orientador o pintor Levino Fânzeres. Em 1957 viajou pela Europa, visitando museus em Portugal, França, Itália e Holanda, regressando ao Rio de Janeiro para trabalhar nos ateliês de Rodolfo Chambelland, Oswaldo Teixeira e Marie Nivouliès de Pierrefort. Em 1964, por concurso público, passou a integrar os quadros do Ministério das Relações Exteriores, o que lhe permitiu servir, como diplomata, em diversos países. Quando regressou ao Brasil, em 2006, foi residir em São Paulo. Sua obra foi objeto de publicações em revistas, livros e análises de inúmeros críticos, entre os mais conceituados do meio artístico.


Circo em Zurique, óleo sobre tela, 2009, col. part.

 

+++

Fontes

BIBLIOGRAFIA SOBRE O IMPRESSIONISMO

Sobre o movimento foram escritos milhares de livros e ensaios, em quase todos os idiomas do mundo. Apresentamos aqui uma lista sucinta de publicações em português, mais ao alcance do nosso leitor, sabendo como seria difícil consultar a imensa maioria dos livros que circulam no mercado internacional.
Temos hoje na Internet uma fonte inesgotável de consultas, inclusive sobre o                         impressionismo, em todas as línguas. Infelizmente, nem todos os websites são confiáveis sob o ponto de vista do rigor da informação. Adiante elencamos alguns sites que nos pareceram de interesse para o nosso internauta.

FONTES IMPRESSAS

Balzi, Juan Jose, Impressionismo, Ed. Claridade

Balzi, Juan José, O Impressionismo (audiolivro) Ed. Universidade Falada

Geyerhahn, Paulo, Eliseu Visconti, ponte de luz e cor, Abigraf - Ass. Bras. das Ind.Graf., São Paulo,2002

Grimme, Karin H., Impressionismo, Ed. Paisagem

Levy, Carlos Roberto Maciel, Giovanni Baptista Castagneto, o pintor do mar, Ed. Pinakotheke (Série Ouro), Rio de Janeiro, 1982

Lobstein, Dominique, Impressionismo, L&PM Pocket

Meyer, Patrick Robert, O impressionismo e a luz dos trópicos, in: Silva, Raul Mendes, Sociedade e Natureza na História da Pintura no Brasil, Rumo Certo, Rio de Janeiro, 2009

Padberg, Martina, Impressionismo, Ed. Paisagem

Reis Júnior, José Maria dos, História da pintura no Brasil, Ed. Leia, São Paulo, 1944

Rewald, John, História do Impressionismo, Martins Editora

Schapiro, Meyer, O Impressionismo, Ed. Cosac Naify

Sellier, Marie, Impressionismo - Visita Guiada (livro infanto-juvenil)

Teixeira Leite, José Roberto, Dicionário Crítico da Pintura no Brasil, Artlivre, Rio de Janeiro, 1987

Teixeira Leite, José Roberto, Impressionistas e pontilhistas, in: A Belle Époque, Arte no Brasil, vol. II, Ed.Abril, São Paulo, 1979.

Thomson, Belinda, Pós Impressionismo - Movimentos da Arte Moderna, Ed. Cosac Naify

FONTES NA INTERNET

EM PORTUGUÊS
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_ic/index.cfm?
fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3638
http://pt.wikipedia.org/wiki/Impressionismo
http://www.infoescola.com/movimentos-artisticos/impressionismo/

EM ESPANHOL
http://www.arteespana.com/impresionismo.htm
http://www.profesorenlinea.cl/artes/impresionismo.htm

EM INGLÊS
http://www.ibiblio.org/wm/paint/glo/impressionism/ 
http://www.metmuseum.org/toah/hd/imml/hd_imml.htm

EM ALEMÃO
http://www.wasistwas.de/aktuelles/artikel/link//6bdab794ec/
article/impressionismus.html
http://www.kunstkopie.de/a/impressionismus.html

EM ITALIANO
http://doc.studenti.it/riassunto/arte/3/post-impressionismo.ht
http://www.francescomorante.it/pag_3/304.htm

VER NESTE SITE, EM DICIONÁRIO DE ARTE INTERNACIONAL:

Barbizon. Pont-a–Aven. Pontilhismo. Pós-impressionismo. Realismo.