NECESSIDADE DA ARTE

Raul Mendes Silva


Catedral de Colônia, Alemanha

Graduação em Filosofia. Extensão em Filosofia Social, PUC/RJ. Autor de ensaios sobre arte brasileira. Coordenador de diversas enciclopédias temáticas.

Em todos os lugares do mundo milhões de pessoas, hoje, de alguma maneira estão envolvidas com arte. Com esse objetivo, por vezes estudaram durante anos, com ou sem diplomas celebraram seus acertos e resultados, penaram com seus erros, com ela convivem diariamente, dela recebem momentos gratificantes - e também seus empregos, em fábricas, escritórios, em casa, nas galerias e lojas.

Para escolher o vestuário dos astronautas, desenhar os carros da Fórmula 1, pintar o armazém do interior, a bicicleta da criança, escrever uma crítica, executar a capa da revista, o projeto do arranha-céus, enfeitar a casinha da periferia, esculpir o bloco de mármore, em tudo isto alguém se assume como artista na hora de decidir e começar.


Carro, projeto de Jaime Lerner

Décadas atrás não se imaginava que seria assim. O computador iria tornar o desenho obsoleto, a explosão do design, aliada à Internet e a novas maneiras de reprodução, teria decretado o fim do toque pessoal e a TV se tornaria mais uma vilã, para aniquilar as figuras do artista e do profissional da arte. Todavia, aconteceu exatamente o contrário. Nunca tanta gente, de todos os países, credos e origens, esteve circundada de arte, como em nossos dias. Apesar da orientação coletiva atual, no ato original da criação permanece a pessoa do artista singular.

Enquanto a tecnologia ameaça a individualidade do criador, uma força de resistência se exerce em direção ao fator pessoal, expressão última e primeira do impulso vital que garante a própria sobrevivência do ser humano, ele o sujeito da aventura que é a sua própria existência.


Van Gogh, autorretrato

 


California Funk, Roy De Forest

Aqueles que vivem da arte e na arte sabem que para cada artista o mais importante é fazer aquilo de que gosta, já que seu trabalho o deve compensar emocionalmente, mesmo que não alcance sucesso financeiro.


Museu do Louvre, Paris

 


Liz Taylor, Andy Warhol

A alguns poucos está reservado o reconhecimento imediato que leva ao prestígio e à riqueza, porém a maioria convive com um imenso e prolongado trabalho, frustrações, dúvidas e restrições econômicas, mas nem por isso renuncia ao prazer de criar. Porquê? Alguém disse que é impossível explicar o que é “arte”, pois para isso seria antes necessário definir o que é “vida”. Compreender a obra de arte não é um exercício para detetives intelectuais em busca do seu eventual significado. Antes disso, é sentir o seu “pulsar”, é apreender e aprender a maneira como ela existe em si mesma e para nós. Para nós todos.


Pietà, de Michelangelo

Organizamos a nossa enciclopédia temática pensando nas consultas de profissionais, professores, estudantes e daqueles simplesmente interessados em arte, enfim dos que fazem parte da nossa imensa “nação”. Esperamos que tenham tanta satisfação quanto nós, ao preparar este trabalho.


Marcia X, Ação de Graças, performance

 


Pintura corporal dos indios